Por muito tempo, acreditou-se que o papel da liderança era controlar, direcionar e garantir a execução por meio de autoridade. Esse modelo funcionou em contextos previsíveis e estruturar altamente hierarquizadas.
No entanto, o ambiente atual – marcado por incertezas, fatos históricos, inovação acelerada e novas exigências sociais – surge exigindo outro tipo de liderança. E os dados já mostram com clareza qual caminho funciona melhor.
O Global Leadership Forecast 2025, uma das pesquisas mais abrangentes sobre liderança global, analisou mais de 1.800 empresas em 54 países. O estudo identificou que organizações que valorizam uma comunicação baseada em influência e escuta ativa, em vez de comandos verticais, apresentam:
- 5,7 vezes mais probabilidade de ter líderes de alto desempenho.
- 3,2 vezes mais chances de reter talentos estratégicos.
- 2,8 vezes mais agilidade na execução das suas estratégias.
Esses números reforçam que a comunicação não é um acessório da liderança, mas o centro de tudo, capaz de mobilizar e transformar organizações.
Embora muitos líderes ainda se apoiem em práticas centralizadoras, os riscos desse modelo estão se tornando evidentes. Ambientes que dependem de imposição de ordens, do controle rígido e da comunicação unidirecional criam barreiras invisíveis ao desempenho coletivo.
Empresas que operam com esse tipo de liderança costumam enfrentar maior rotatividade, baixa retenção de conhecimento e dificuldade em inovar.
Segundo dados compilados por consultorias como a PwC, essas organizações também apresentam custos operacionais significativamente maiores, com aumento de 37% em treinamentos corretivos e 28% em processos de contratação, devido à saída frequente de colaboradores.
Além disso, ambientes com baixa abertura ao diálogo tendem a gerar um engajamento superficial. Pessoas que não se sentem ouvidas, raramente se envolvem profundamente com os objetivos da empresa. A consequência disso é uma força de trabalho menos comprometida, menos criativa e mais propensa ao desligamento.
Em contrapartida, empresas que tratam a comunicação como um ativo estratégico, têm conquistado ganhos concretos. Um estudo da Mckinsey com 420 empresas em processo de transformação cultural revelou que mudanças nos padrões comunicativos geram efeitos tangíveis em três dimensões críticas: segurança psicológica, velocidade de decisão e qualidade do diálogo.
Organizações que passaram por esse tipo de transformação registraram um aumento médio de 58% no índice de segurança psicológica, além de uma redução de mais da metade no tempo médio necessário para decisões estratégicas: de 22 para 9 dias. A qualidade das conversas também transformou, com maior participação dos colaboradores em reuniões, maior diversidade de vozes nas decisões e um ambiente mais aberto ao questionamento construtivo.
Mas a pergunta é: o que realmente faz a diferença?
Uma análise recente, publicada no Journal of Organizational Behavior, avaliou 72 estudos de caso e identificou dois fatores-chave para o sucesso de transformações na Comunicação Interna:
- Consistência entre a liderança – empresas onde os líderes mantém padrões comunicativos coerentes em diferentes níveis hierárquicos apresentam 2,4 vezes mais alinhamento estratégico e 1,8 vezes mais resiliência em momentos de crise.
- Diversidade nos canais de escuta – organizações que adotam pelo menos quatro formatos distintos de escuta ativa como pesquisas, reuniões participativas, plataformas de feedback contínuo e fóruns de diálogo, têm 67% mais ideias implementadas e 53% menos conflitos interdepartamentais.
A transformação comunicativa não é apenas uma boa prática emergente, ela está se tornando um padrão de excelência. O relatório Future of Work 2025 prevê que, até 2026, cerca de 42% das empresas listadas na Fortune 500 terão criado cargos formais voltados à escuta organizacional, como o Chief Listening Officer.
Além disso, já estão surgindo certificações corporativas que medem a maturidade comunicativa de uma empresa, com base em indicadores como a frequência e eficácia dos ciclos de feedback, a participação nos espaços de decisão e a qualidade do diálogo interdepartamental.
Um novo pacto entre liderança e cultura
A liderança do futuro não se sustenta mais em comandos unilaterais. Ela se constrói em redes de confiança, escuta e influência mútua. Empresas que reconhecem isso não apenas melhorar seus resultados de curto prazo, mas constroem culturas mais adaptáveis, inovadoras e humanas.
Os dados são claros, investir em comunicação é investir em performance, retenção e diferenciação no mercado.
A pergunta que se impõe é simples e, ao mesmo tempo, estratégica: sua empresa está preparada para medir e transformar a forma como seu comunica?
Fontes:


