Ultimamente muito tem se falado sobre a Geração Z no mercado de trabalho que, em breve, representará 50% da força de trabalho global. Nascidos entre 1997 e 2012, esses jovens profissionais possuem uma relação única com a tecnologia, além de um forte senso de justiça social e de liberdade.
Mas, afinal, o que podemos esperar dos próximos anos com a ascensão dessa geração? Como ela irá moldar a maneira de trabalhar e sua visão sobre a vida pessoal e profissional?
Neste artigo, que escrevo após a 9ª edição do Talk de Boas – que recebeu uma significativa participação de profissionais desta geração -, compartilho dados valiosos que podem nos dar uma prévia de como será o futuro do trabalho, a partir da perspectiva da GenZ.
O que a Geração Z busca no mercado de trabalho?
Uma pesquisa da The National Society of High School Scholars [NSHSS] revelou informações sobre as preferências da Geração Z ao buscar uma oportunidade profissional. O estudo destacou alguns pontos importantes:
- Tratamento justo entre os funcionários: 28% dos jovens apontaram que isso é um fator decisivo na escolha de um emprego.
- Equilíbrio entre vida pessoal e profissional: 25% valorizam essa flexibilidade como prioridade em sua jornada de trabalho.
- Responsabilidade social corporativa: para 14%, as empresas devem ter um compromisso claro com causas sociais e ambientais.
Além disso, a pesquisa mostrou que a oportunidade de desenvolvimento profissional é fundamental para 86% desta geração e 63% consideram o tempo livre remunerado como um benefício essencial. Esses números indicam que os jovens não estão apenas buscando um emprego, mas sim um trabalho que ofereça um ambiente de crescimento pessoal, com valores que se alinhem com os seus princípios.
O impacto da tecnologia: uma visão cautelosa
Embora a Geração Z seja conhecida por sua relação íntima com as novas tecnologias, ela também é cética quanto ao impacto que elas podem ter em seu futuro profissional. A Inteligência Artificial [IA], por exemplo, gera preocupação para 59% dos jovens, que acreditam que ela trará mais impactos negativos do que positivos nos próximos dez anos. Além disso, 62% expressam receio quanto à substituição de postos de trabalho por automação e algoritmos.
Esse cenário sugere que, embora a GenZ seja extremamente adaptável à tecnologia, ela também deseja estar preparada para navegar os desafios que ela pode trazer para a dinâmica de trabalho, buscando um equilíbrio entre inovação e segurança no mercado de trabalho.
O novo modelo de trabalho: flexibilidade e adaptação
Com o avanço da Geração Z, uma mudança significativa nos modelos de trabalho está em andamento. A pesquisa da NSHSS revela que 61% desses profissionais buscam horários adaptáveis e um formato de trabalho que se adeque à sua vida pessoal. Isso abre caminho para uma maior adoção do trabalho remoto, híbrido e jornadas personalizadas.
Essa busca por flexibilidade reflete a prioridade que os jovens profissionais dão ao bem-estar e ao equilíbrio entre trabalho e vida pessoal. A jornada tradicional está perdendo espaço para um modelo mais dinâmico e adaptado à realidade de cada indivíduo.
Exposição de insatisfações profissionais nas redes sociais
Outro comportamento marcante da GenZ no ambiente de trabalho é sua transparência e abertura para compartilhar insatisfações profissionais. Um estudo da Owl Labs revelou que 48% dos jovens já fizeram publicações ou comentários negativos sobre seus empregos ou empregadores nas redes sociais. Isso evidencia que o público em questão não tem medo de expor suas frustrações, buscando, muitas vezes, melhorias para seu ambiente de trabalho ou até mesmo novas oportunidades.
Essa tendência também embasa a crescente importância das marcas empregadoras. Com um grande número de jovens profissionais dispostos a compartilhar suas experiências de trabalho publicamente, as empresas precisam cada vez mais se preocupar com o ambiente organizacional e a transparência no trato com seus colaboradores.
O impacto do trabalho na saúde mental
Por fim, é importante observar o impacto que o trabalho tem na saúde mental e no bem-estar geral da Geração Z. A pesquisa realizada pelo ecossistema Great Place to Work [GPTW] revelou que mais de 50% dos brasileiros acreditam que o trabalho impacta negativamente outros aspectos de suas vidas, especialmente a saúde mental, com 80% dos entrevistados apontando que o trabalho afeta sua saúde psicológica.
Outros efeitos mencionados incluem saúde física [42%], sono [37%] e relações familiares [28%]. Esses dados reforçam a importância das empresas adotarem políticas de apoio à saúde mental e ao bem-estar de seus colaboradores, principalmente para a GenZ, que valoriza tanto o equilíbrio entre a vida pessoal e profissional.
E, por fim, o futuro do trabalho com a Geração Z
À medida que esta geração assume papéis de destaque no mercado de trabalho, é fundamental que as empresas se adaptem às novas demandas dessa geração. Flexibilidade, equilíbrio, desenvolvimento contínuo e responsabilidade social são aspectos fundamentais que devem ser incorporados à cultura organizacional para atrair e reter os melhores talentos dessa nova era.
Em um mundo onde a tecnologia avança rapidamente e o bem-estar dos colaboradores é cada vez mais valorizado, a Geração Z tem o poder de transformar as relações profissionais e moldar o futuro do trabalho de maneira justa, transparente e equilibrada.
As empresas que conseguirem entender e se adaptar a essas novas exigências estarão preparadas para prosperar em um ambiente de trabalho mais flexível, inclusivo e humano. O futuro do trabalho é, sem dúvida, uma construção colaborativa entre empresas e profissionais desta nova geração.
E você, como está se preparando para essa transição?



